[RMC 2011] Dia 2
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[RMC 2011] Dia 2
04.03.11 17:20
O painel "Releasing Your Track" iniciou o 2º dia da conferência com o agradável bate-papo entre David Mc Loughlin, Cesar Vieira e Dudu Marote. Na maioria dos assuntos abordados, prevaleceu o incentivo a novos talentos presentes na sala com ricas explicações. O tema do licenciamento musical atraiu muitos DJs sob a ótica do lançamento tradicional por selos, mas a mesa conduziu com uma proposta diferente.

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Os profissionais de longa data introduziram o conceito da sincronização musical, uma área que poucos DJs costumam dominar por conta própria, que é o ofício das editoras de música em articular tracks exclusivamente para filmes, publicidade, TV, ringtones, games e novas mídias. O case mais debatido foi o da Electronic Arts, que trabalha com uma verba fixa de apenas 6 mil dólares para trilhas de seus jogos milhonários.

A sincronização se completa na prática de monetizar a participação do artista no game em novos conteúdos, no entendimento de Cesar Vieira, que é diretor da Dueto Edições Musicais. Sua editora incentiva autores para que eles sejam os próprios donos de suas faixas, para que a empresa ofereça então seus catálogos junto aos canais digitais e etc. "O artista não pode engajar sua música em qualquer filme, às vezes a grana não vale a pena pelo estrago da imagem", lembrando de já ter auxiliado Lulu Santos a evitar roubadas em jingles publicitários.

O irlandês Mc Loughlin, que é gerente do projeto Brasil Music Exchange, sugeriu vários meios de se trabalhar com pequenos e constantes retornos de direitos autorais, ele que demonstrou diversos aplicativos, sites, blogs e entusiasmo com as redes sociais. A ONG Merlin Network é uma de suas ferramentas atuais, fica a dica para os independentes.

Em sua mediação, Dudu Marote, que é fluente no mainstream e na música eletrônica, revelou que é quase nula a chance de colocar música eletrônica hoje em comerciais de TV. Ele sugeriu que novos produtores já abram seu leque de referências estéticas se quiserem ir além da indústria dos clubes.

MANAGEMENT

Já para os que querem continuar crescendo na cena eletrônica, um case interessante foi exposto horas depois no "Label & Artist Management". O DJ português Pete da Zouk participou do painel com uma novidade em sua gestão artística. Pete é um dos poucos DJs que tem um empresário como sócio de sua marca. A figura tradicional do booker sai de cena, deixando espaço para profissionais com experiências em diversas áreas, modelo tão comum na gestão de bandas.

Representante em Portugal da WDB Management, João Miguel, que estava presente na mesa, é sócio de mais outro empresário na carreira de Pete. Os três trabalham juntos viabilizando a construção da marca Pete da Zouk.

O músico se empenha em música e os sócios fazem funções de assessoria de imprensa, booking, RP digital e etc. Dividem lucros e prejuízos. Gringo não dá ponto sem nó, nem os portugueses... Será que a moda pega por aqui?

CURTO-CIRCUITO

O universo lúdico do circuit bending tomou conta do Auditório Giorgio Moroder no final da tarde com o painel "Interações Eletrônicas", talvez o mais divertido que assisti no RMC. O encontro foi apresentado por ninguém melhor que o produtor Saulo Pais (Dada Attack), e por outros professores pardais da música eletrônica.

O engenheiro eletrônico Vinicius Brasil desenvolve equipamentos e sistemas e há dois anos voltou a projetar equipamentos analógicos e híbridos, como pedais, noise & drone generators e sintetizadores. Para o cara, as pessoas estão começando a perceber que o universo do vintage tem muito mais do que um charme e vários produtores estão buscando seus diferenciais no "passado".

Saulo levou alguns brinquedos infantis apdaptados para uso em música, para o público manipular. Em clima instimista, o bate-papo passou por Kraftwerk, Devo, Hermeto Pascoal, Pink Floid, Nathan Fake e Daft Punk.

HOT

Duas grandes mesas esquentaram os ânimos no fechamento do RMC 2011 com a pretensão de traçar panoramas extensos demais para a ocasião. "DJ brasileiro: passado, presente e futuro" contou com os veteranos Anderson Noise e Memê, e expoentes como Ferris e Mario Fischetti. A sala assistiu a um verdadeiro debate político com direito a lavagem de roupa suja em público.

Já em "Brasil - A força e os desafios do mercado", os propietários de clubs Renato Ratier (D-Edge), Ricardo Flores (Green Valey), Gustavo Conti (Warung), Iuri Girardi (Privilege) e o Miguel Marangas - responsável pela tenda eletrônica do Rock In Rio -, estiveram em sintonia no embate ideológico ao concluir que trabalham com curadorias artísticas diferentes.

Por também ser DJ e pesquisador de música, Ratier falou inquieto de sua meta de vida que é estabelecer novas cenas musicais na cidade de São Paulo. Gustavo Conti fez coro mostrando seu esforço em colocar o clube Warung como um veículo de informação relevante, tendo excurcionado com a DJ Aninha, entre outros brasileiros, para Ibiza.

Felicio Marmitex
Felicio Marmitex
www.twitter.com/feliciomarmitex
comentários
1 comentários
Anna Leevia
Anna Leevia(05.03.11)
3AprovadoQueima
Discordo do "verdadeiro debate político" na mesa "DJ brasileiro: passado, presente e futuro". Alguns dos debatentes esqueceram que já foram principiantes um dia, e já cobraram pouco. Também perderam tempo reclamando do DJ que nao cobra, o DJ celebridade, DJ que quer aparecer...
Na minha opinião, a culpa não é do DJ ruim. Se ele tem um MERCADO e um PUBLICO que o sustenta, o que há de errado em que ele explore essa ou aquela vertente? Reclamar e ridicularizar o estilo/conceito [ou mesmo a falta deles] dos outros é pura perda de tempo. Acho que o debate ficou focado nisso, em vez de enfatizar a importância de cada um preocupar-se com sua própria carreira e trabalhar para melhorar naquilo que realmente gosta e aprecia.
O Noise falou algo interessante: o mais importante é amar aquilo que se faz. Desse jeito, a evolução acontece.